Fonte: Assessoria/Amsop

02/11/2015


Conservação de solo ganha apoio de dezenas de entidades no Sudoeste


No ano internacional de solo definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) a Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) e o Grupo Gestor do Território Sudoeste do Paraná (Ggetespa) oportunizaram o debate sobre o tema para a realidade sudoestina. O palco dos debates foi o auditório do campus da Unioeste, em Francisco Beltrão, na terça-feira (27).

A iniciativa foi de tamanha relevância que mais de 20 entidades, associações e entidades apoiaram as discussões denominado de “Encontro Regional do Ano Internacional dos Solos: Alimento e Vida”. Compareceram ao encontro representantes do Instituto Emater, Seab, Iapar, UFFS, Unioeste, Acamsop, núcleos regionais de educação, Incra, UTFPR, Sema, Assema, IAP, Fetraf, Arcafar/Sul, Coopafi, Cresol, Infocos, MAB, MST, Sisclaf, CMDR, Cooperiguaçu, Assesoar, Nepar, Capa, Fetaep entre outros.

A realidade regional, nacional e até mundial dos solos, o uso abusivo de agrotóxicos, a qualidade da água, a produção de alimentos e o sistema vigente da cadeia produtiva da agropecuária entraram em discussão. Além de palestras o encontro contou com painéis, oficinas, debates e a definição das primeiras metas para a criação da Carta Sudoeste Ambiental.

Uma das preocupações levantadas e que já foi questionado inclusive pelo Tribunal de Contas da União é a falta de legislação que obrigue a proteção dos solos. Também acendeu a luz vermelha o uso exagerado de agrotóxicos que está se acumulando no corpo humano através de alimentos e da água. Estudos mostram o crescimento de casos de câncer, que podem ter ligação com o contato com agrotóxicos.

Alerta/ação


O alerta sobre o risco que a comunidade regional corre se não forem adotadas medidas de preservação ao solo e a água foram apontadas por especialistas, como o representante da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) Carlos Antonio Ferraro Biasi. Ele apresentou dados que mostram, por exemplo, que no mundo menos de 11% do solo é adequado para a produção de alimentos, e que não se tem cuidado o suficiente para protegê-lo. Lembrou que até 2050 a população mundial deve atingir a casa dos 9 bilhões de pessoas, e que para alimentar esse povo é preciso um incremento em torno de 70% da produção atual. “No Brasil, para se ter idéia, 20 a 40 milhões de hectares de pastagens estão se degradando. Então temos que agir e mudar nosso comportamento”, frisou Biasi.

O prefeito de Marmeleiro Luiz Bandeira, em nome do presente da Amsop, Altair Gasparetto, salientou a necessidade das discussões e da disposição da entidade em ser parceira de eventos que contribuem com o Sudoeste. “Muito oportuno os debates sobre solo no ano internacional, e a Amsop está a disposição para ampliarmos as conversas sobre os novos caminhos para proteger nosso solo. Parabéns a todos os envolvidos e a dedicação em promover e participar”, comentou Bandeira.

O engenheiro-agrônomo integrante da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Sudoeste do Paraná, Luiz Cesar Cassol e membro do núcleo paranaense de solos foi enfático. “O ser humano foi capaz de evoluir em técnica e produção, mas regrediu em proteger os recursos naturais. Tá na hora de todos assumirem a meia culpa e agir. As próprias multinacionais estão preocupadas com isso, então temos que fazer acontecer”, afirmou Cassol.

Luiz Perin, coordenador do Território e da Fetraf acredita que é preciso repensar o sistema de produção. “A forma como está sendo feita a produção agropecuária precisa ser revista antes que seja tarde”, entende.

Já o representante do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) José Leitos entende que a conservação de solo é uma questão de segurança nacional. “O homem achava que os recursos naturais eram infindáveis, e isso aconteceu com a araucária no Sul, que se foi, com os peixes, que praticamente sumiram dos rios, e agora pode ocorrer com a água e alimentos. Precisamos nos comprometer e sair do comodismo”, conclamou. 

Ainda contribuíram com o encontro o engenheiro agrônomo da Emater Sergio Luiz Carniel, que apresentou um panorama dos solos do Sudoeste, além do assessor da Itaipu Binacional Luiz Yoshi Suzuki que falou sobre as experiências bem sucedidas na região Oeste do Estado apoiados pela empresa. Professores da UTFPR, e integrantes da SEMA e Unioeste trabalharam temas específicos em oficinas. 

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