Fonte: Assessoria

09/11/2015


Samu 192 Sudoeste contribui com sobreviva: Mortalidade no Trânsito reduz -10,45/100mil mortes


O Paraná possui 4.041 Km de extensão em rodovias federais que cortam seus municípios. Em termos de Mortalidade por Acidentes de Transporte Terrestre (ATT), o Estado é o mais violento da região sul do país. Em 2012 foram 34/100mil mortes e no Brasil 23/100 mil. A boa notícia é que, de dois anos para cá, o número de mortos tem diminuído e a presença do Samu 192 no Estado é um destes motivos. Os dados estão no documento "Perfil dos Acidentes de Transporte Terrestre no Paraná, 2011 a 2014”, realizado pela Divisão de Vigilância das Doenças Não Transmissíveis  (CEPI - SVS) do Governo do Estado do Paraná.

As mortes ocorridas nos locais de acidentes foram em mais de 80% dos casos devido à colisão caminhão-auto, colisão auto-auto, capotamento, atropelamento, auto-moto, colisão contra anteparo, caminhão-moto, queda de moto, colisão caminhão-caminhão. Observa-se uma tendência decrescente nos atropelamentos, tendência crescente nas colisões caminhão – auto; e nos demais acidentes a proporção de mortes se mantém ano a ano.

Redução de Acidentes na 7ª e 8ª RS

É possível, com base nos dados, traçar um demonstrativo do impacto da Taxa de Mortalidade por ATT após a implantação do SAMU (veja tabela). Somadas as duas RS, a média de redução de mortes é de -10,45/100mil mortes.

Em 2010, a média de mortos no Paraná a cada 100.000 acidentes era de 32,9 e em 2014 caiu para 25,1, uma diminuição de -9,0 de diferença após Samu (2012-2014).
Na 7ª Regional de Saúde de Pato Branco, em 2010, antes de ter Samu, a média era de 32,8/100 mil mortos, caindo em 2014 para 26,3/100 mil mortos, ou seja, uma redução de -12,2 no número de mortos, após o Samu 192 entrar em ação.
Na 8ª Regional de Saúde de Francisco Beltrão, o índice de mortes a cada 100.000 em 2010 era superior ao do Estado: 43,2/100mil mortos, número que caiu agora para 34,5/100mil mortos, ainda superior à média do Estado, contudo representando uma sobrevida, já que houve menos -8,7 mortes a cada 100.000, após a implantação do Samu 192 Sudoeste do Paraná.

Atuação do Samu 192

Na equipe desde os princípios do Samu 192 Sudoeste, antes mesmo de iniciar os atendimentos externos, o médico intervencionista do Samu - Base Descentralizada de Francisco Beltrão, Leandro Augusto Kuhl Opsfelder explica que o Samu 192 trouxe de diferente o fato de ter a presença do médico na cena do acidente, o que permite um amplo leque de atuação em primeiros socorros - ação que tem se demonstrado mais efetiva do que mover rapidamente a vítima a uma unidade hospitalar.

Leandro Opsfelder confirma: "Eu já reanimei alguns pacientes em rodovias, que saíram vivos. Esta é uma atribuição do médico, em ter o atendimento àquele paciente mais grave. Sabemos que em outras ocasiões, na maioria das vezes, estes pacientes não sairiam vivos”, comenta, referendando o diferencial do Samu. “O que contribui mais é sempre o protocolo de atendimento, o ATLS, com as avaliações ABCDE e o preparo da equipe. O Samu está em treinamento continuado e sempre seguindo o protocolo de atendimento”, ressaltou.

Além de fazer parte da equipe do Samu, ele atende clínica médica e é especialista em Terapia Intensiva, assim exercendo a função de coordenador da UTI da Hospital São Francisco de Francisco Beltrão. Neste posto, pode afirmar quanto à diferença para o paciente se recuperar mais rápido, na própria unidade hospitalar. "Principalmente aos pacientes neurológicos, isto é visível”, apontou.

Protocolo ATLS

A vantagem do método do ATLS é inicialmente poder tratar os traumatizados sem ter o diagnóstico definitivo como pré-requisito. O caminho é sempre o mesmo: avaliação inicial paralela e simultânea aos procedimentos de reanimação respiratória e cardiocirculatória. Reavaliação constante, estabilização dos mecanismos respiratórios e circulatórios, encaminhamento para cirurgia, exames complementares específicos, adequada transferência para a instituição referência de trauma.

O "carro chefe" do protocolo é o método universalmente consagrado do ABCDE, constantemente repetido, principalmente, na primeira hora, a chamada “hora de ouro”. ABCDE está para A- Airway with cervical- spine control; B- Breathing; C- Circulation; D- Disability or neurologic status; E- Exposure(undress) with temperature control (Tradução livre para: A: controle da coluna cervical, B: respiração, C: circulação, D: deficiência ou condição neurológica, E: Exposição com controle de temperatura).

Samu está em 72% do Estado

Pelo "Quadro de Cobertura dos Serviços do Samu - Paraná, 2014", nota-se que o Estado, distribuído em 22 regionais de saúde, alcança uma cobertura populacional de 80,19%. As regionais: 4ª Irati, 6ª União da Vitória, 21ª Telêmaco Borba, e 22ª Ivaiporã, não possuem Central de Regulação e nem municípios integrados ao Samu. No total são 289 municípios pertencentes a 18 regionais, totalizam-se 72,43% de cobertura do Samu 192.

Só o Samu 192 Sudoeste, por exemplo, conta com 315 servidores, estando entre a equipe técnica os médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem socorristas, condutores socorristas, rádio operadores, técnicos auxiliares de regulação médica (Tarm), que recebem todo o suporte do pessoal administrativo, ligado ao Ciruspar.

A Central de Regulação do Sudoeste recebeu 50.810 acionamentos no 192, de 1º de janeiro a 23 de outubro de 2015. Desses, contudo, 21% das ligações foram classificadas como trote (7.213) ou engano (3.731). Assim sendo, os números mostram que não basta a atuação do médico e da equipe técnica do Samu 192. Cabe a cada cidadão a consciência em usar bem o serviço.

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