Fonte: Assessoria

04/04/2016



A apresentação da proposta de redução das centrais de regulação do SAMU no Paraná e com isso a migração de parte do serviço em Pato Branco para a região Oeste do Estado não convenceu, por enquanto, os prefeitos do Sudoeste. A sugestão foi apresentada na manhã de quinta-feira (17) na sede da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) pelo coordenador Estadual da Rede de Urgência e Emergência Vinícios Filipak.

Segundo o coordenador, a proposta da Secretaria de Estado de Saúde (SESA) é transformar as 12 centrais de regulação em apenas 4, mas isso só poderá ocorrer se todas as regionais concordarem. Ele defende que o formato atual é insustentável e que ainda falta 20% da população paranaense para ser atendida. Com o novo formato seria possível ampliar o SAMU para todo Estado e baixar o custo de R$ 0,33 per capta para R$ 0,18, e o Estado bancaria esse valor. “Em Pato Branco, onde está hoje a central de regulação do Sudoeste, ficaria o mesmo corpo de profissionais e veículos no atendimento, mas somente um radioperador 24 horas. O restante o Ciruspar tem autonomia para decidir como fazer”, disse em sua fala, lembrando que é o consórcio que administra o SAMU no Sudoeste.

Vinícios aproveitou para explicar todo o funcionamento do SAMU e lembrar das leis que ampararam a criação do sistema e as competências. Listou também os números de atendimento (em 2015 foram uma média de 2 mil ligações por dia) e do custo anual para o Estado que chegou a casa dos R$ 24 milhões no ano passado. Mesmo assim é enfático ao afirmar os benefícios do SAMU, principalmente o modelo utilizado no Sudoeste. “A proposta atende a preocupação da SESA com as inúmeras queixas dos prefeitos sobre o alto custo, e a um melhor direcionamento por parte das 4 centrais no encaminhamento dos pacientes em todo Paraná”, afirmou o coordenador, salientando que não há mais recursos para ampliar participação do Estado.

Ele acrescenta que o Estado vem bancando sozinho o financiamento do Hospital Regional, além de investimentos em programas que dão suporte e qualificação aos pontos de atenção da rede de urgência, como o repasse de recursos a vários hospitais da rede (HOSPSUS). Ainda cita repasse de recursos a atenção primária (APSUS), atendimento aeromédico (3 aeronaves), veículos para rede de urgência, reposição da frota do SAMU entre outros investimentos que juntos totalizam mais de R$ 150 milhões por ano.

Questionamentos


Atentos as explicações do coordenador, prefeitos, secretários municiais de saúde, chefes das regionais de saúde, presidentes dos Cresems da 7ª e 8ª Regional (Conselho Regional de Secretários Municipais de Saúde), integrantes da Associação Regional de Saúde do Sudoeste (ARSS), e Associação Intermunicipal de Saúde (Assims) e direção do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgência e Emergência do Sudoeste do Paraná), demonstraram preocupação com a mudança, prioritariamente com a queda na qualidade do serviço prestado.

“Sem o SAMU não é mais possível ficar, e hoje temos um serviço de primeira. Os prefeitos querem baixar custo, mas temos que ver se vai continuar com essa mesma qualidade. Temos que ver isso”, questionou Raul Isotton, prefeito de Dois Vizinhos. O prefeito de Pato Branco Augustinho Zucchi sugeriu um estudo detalhado. “Precisamos saber quanto economizaremos com a mudança e se o sistema funciona bem. Aí podemos começar a discutir melhor se vale a pena”, comentou. As secretárias municipais de Saúde de Francisco Beltrão, Rose Guarda e de Pato Branco Antonieta Chioqueta também se manifestaram salientando a conta salgada que arcam todos os meses pelo atendimento encaminhado pelo SAMU nos hospitais e postos de saúde do município. “A pactuação não está sendo mantida. Precisamos de um acréscimo do Estado agora para equilibrar as coisas até se resolver”, disse Rose.

Cobrança

O prefeito de Clevelândia, presidente do Ciruspar Alvaro Felipe Valério fez a prestação de contas do consórcio junto com a coordenadora do Ciruspar Kelly Cristina Custódio. Em sua fala Valério afirmou que o grande problema de todo o sistema está no aumento constante de custo bancado pelos municípios, e que não é acompanhado pelos entes da federação. “O valor pago por eles, com atraso, é o mesmo desde 2011. Veja bem toda a diferença de aumento de custo, quem está bancando são os prefeitos. Nós tivemos que pagar a mais até agora em 5 anos, além da nossa parte. Isso é injusto. O problema está aí”, declarou o prefeito. Na oportunidade o presidente do Ciruspar resolveu manter o mesmo valor per capta pago pelos municípios em R$ 1,05 em pelo menos mais um mês, perante o consórcio.

Contra-proposta

O presidente da Comissão de Saúde da Amsop, o prefeito de Bom Jesus do Sul Cesar Bueno conclamou os prefeitos para formular uma contra-proposta, e sugeriu que uma das centrais de regulação fosse em Pato Branco. “Se a idéia é criar 4 centrais, por que não uma em Pato Branco? E vejo que temos que nos reunir na próxima semana com todos os 10 integrantes da comissão de saúde para discutirmos uma contra-proposta”, salientou, observando a necessidade do governo dar um aporte até que o assunto seja fechado em todo Estado.

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