Fonte: Redação

12/07/2016


Servidores do SAMU Sudoeste estão em greve


Os condutores socorristas e técnicos em enfermagem do SAMU Sudoeste, administrado pelo CIRUSPAR (Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgências do Sudoeste do Paraná), estão em greve desde a terça-feira (05).

Os profissionais reivindicam correções nos valores do piso salarial, abono salarial, auxílio alimentação, e questões particulares de cada base.

Em Realeza, no sábado (09), os trabalhadores realizaram a distribuição de panfletos com explicações sobre os motivos da greve.

Em nota, os sindicatos das categorias paralisadas explicam os motivos:

GREVE NO SAMU SUDOESTE
ENTENDA AS RAZÕES
NOTA A IMPRENSA E A POPULAÇÃO

O Presidente, em nome da Diretoria do Sindicato dos Motoristas, Condutores de Veículos Rodoviários Urbanos e em Geral, Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Dois Vizinhos - SINTRODOV, e o Sindicato dos Trabalhadores em estabelecimentos da saúde de Francisco Beltrão, vêm pela presente, esclarecer a imprensa e a população em geral os reais motivos da deflagração da greve dos Condutores e técnicos de enfermagem e outras categorias do SAMU Sudoeste servidores do sistema CIRUSPAR.

HISTÓRICO

Esta categoria, desde a criação do SAMU no Sudoeste do Paraná esta com seu salário muito abaixo da realidade do mercado de trabalho e especialmente pela importância desta categoria no contesto social. No ano passado a categoria sem restar outra alternativa já havia deliberado pela greve e só não ocorreu pelo fato que em audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho em Curitiba, o CIRUSPAR, consórcio que administra o SAMU no Sudoeste do Estado se comprometeu com os trabalhadores a implantar o plano de cargos e salários e aprovar recursos específicos em dotação orçamentária em 2016, com a finalidade de assegurar aos condutores melhores condições salariais e melhores condições de trabalho. Infelizmente para nossa surpresa o CIRUSPAR não cumpriu o que tinha se comprometido no Tribunal. Este ano novamente não tendo avanços na luta por melhores salários a estes trabalhadores, não restando outra alternativa os trabalhadores decidiram em assembleia a decretação da greve.

BENEFÍCIOS DO SAMU A POPULAÇÃO

Os condutores do SAMU executam atividades distintas e são preparados para manter a vida e sobrevida das pessoas minimizando riscos de complicações na execução de seus atendimentos. Estão sempre preparados para realizar os procedimentos necessários para retirar as vitimas dos lugares difíceis. Quantas pessoas salvas todos os dias por estes bravos trabalhadores? Quantas pessoas que o SAMU socorreu, transportou e salvou? Quantos pacientes graves precisando UTI em outras cidades que o SAMU transportou e estes sobreviveram? Quantas gestantes de risco transferidas para serviços de referência que ganharam seus bebês com segurança? Quantos pacientes foram transferidos para UTIs ou centros de referência graças ao Samu?.

Os Sindicatos manifestam total apoio aos grevistas e está buscando junto aos prefeitos que administram o CIRUSPAR uma proposta melhor para atender as reivindicações da categoria e de imediato o fim da greve que poderá trazer prejuízos a população que necessita deste atendimento.

Esclarecemos que a população entenda que esta paralisação não é e nunca foi a vontade dos trabalhadores e nem dos Sindicatos que representam esta categoria e sim do descaso com que são tratados por quem tem a obrigação legal de manter este serviço essencial a comunidade. Contamos com a compreensão de todos e esperamos que o CIRUSPAR possa de forma responsável buscar recursos para realinhar o salário da categoria e por fim a esta greve, greve esta que nós creditamos a responsabilidade ao consórcio que administra o SAMU no Sudoeste do Paraná.

Nossas lutas continuarão diariamente, mas com consciência e responsabilidade para contribuir com um mundo melhor onde todo pai e mãe de família tenham condições dignas de dar o mínimo necessário a seus familiares.
Nossa reivindicação é a seguinte: Passar de R$ 1.209,62 para R$ 1.400,00 o piso salarial; passar o abono salarial de R$ 133,30 para R$ 150,00 e de R$ 239,23 para R$ 250,00 o auxilio alimentação.

Vale lembrar que desde o surgimento do SAMU no Sudoeste, os Condutores e técnicos de enfermagem tiveram apenas a reposição inflacionária com reajuste médio de 34% de 2013 a 2016, já outros servidores do CIRUSPAR tiveram reajuste acima de 200% e em alguns casos até 300%. Não nos opomos as categorias que conseguiram estes reajustes exorbitantes, mais deixamos uma pergunta ao CIRUSPAR: por que dar tratamento tão diferente dentro da mesma empresa? Os condutores socorristas e técnicos de enfermagem são menos importante para o CIRUSPAR que outros trabalhadores do sistema? Com a palavra os representantes do CIRUSPAR/SAMU 192.

Dois Vizinhos, 08 de julho de 2016.

A Direção das entidades sindicais.

Por outro lado, a direção do CIRUSPAR emitiu uma nota referente à greve dos servidores.

NOTA DO SAMU 192 SUDOESTE DO PARANÁ
REFERENTE À GREVE DOS SERVIDORES


É de conhecimento popular que os servidores do Samu 192 Sudoeste do Paraná estão aderindo ao movimento grevista, proposto pelos sindicatos das categorias. Mesmo com alguns servidores tendo votado contrário à greve nas assembleias, como o Sindicato de Dois Vizinhos, os demais sindicatos optaram pela greve, o que anulou as propostas feitas pelo Ciruspar abaixo descritas. A partir das 19h deste 5 de julho, alguns condutores socorristas e técnicos de enfermagem socorristas, paralisaram.

O consórcio reconhece o direito à greve, mas não consegue compor, junto com os sindicatos, uma proposta de paralisação. Entendemos que Greve no Samu, num serviço que é essencial e inadiável, é um contra-senso e não condiz com o cargo daqueles que optarem por se empregar em Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

O Ciruspar, que administra o Samu 192 Sudoeste do Paraná, reforça que a Central de Regulação permanece funcionando normalmente, inclusive com médicos. Salienta-se que as equipes de UTIs móveis estão em funcionamento normal e que as equipes de suporte básico, que aderiram à greve, seguem planilha estabelecida pelos sindicatos, que deve obedecer, pelo menos aos 50% de efetivo estabelecido pelo Tribunal Regional do Trabalho-PR, na audiência realizada entre as partes dia 28 de junho, em Curitiba.

A Central de Regulação, além do direcionamento das ambulâncias do Samu 192 em atividade, está contando com o apoio dos municípios, bem como as equipes do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil.

Diferente do que se tem visto eventualmente na mídia, quando alguns representantes da categoria se manifestam afirmando que não foram procurados, o Ciruspar esteve sim realizando propostas e o diálogo esteve sempre aberto com os sindicatos.

Tratativas com Sintropab, Sitrofab, Sintrodov e Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos em Saúde de Pato Branco e Francisco Beltrão têm sido constantemente realizadas. Mesmo sem nenhum novo aporte de recursos, o Ciruspar fez as seguintes propostas na manhã de sábado, 2 de julho para buscar a conciliação e evitar a greve:

1- As cláusulas do acordo coletivo de natureza social se mantém aprovadas, bem como o compromisso de realizar efetivas melhorias estruturais nas Bases Descentralizadas.
2- Atender de imediato, a partir desta data, a reivindicação de auxílio-alimentação, no valor de R$ 250,00 para todos os funcionários.
3- Garantia da inclusão nas leis orçamentárias de 2017, dos valores propostos para realinhamento e definição do piso das seguintes categorias na data base de 2017:
- Condutores socorristas - piso de R$ 1.400,00 (com incorporação do abono);
- Técnico de enfermagem socorrista - piso de R$ 1.400,00;
4- Compromisso de buscar os recursos necessários para atender ao realinhamento salarial às demais categorias apresentadas.
5- Compromisso de buscar aumento de receitas que garanta a manutenção do serviço e os direitos dos funcionários.

Contudo, de acordo com o Ofício 102 enviado pelo Ciruspar, se fosse desencadeado o movimento grevista, essas propostas seriam sem efeito.

O Ciruspar reforça que os salários de todos os seus servidores está sendo pago em dia, mantendo-se sem dívidas com fornecedores e fazendo uma gestão responsável. Foi repassado sim 11,08% de reposição salarial relativo ao INPC a remuneração do quadro de servidores. Reajuste este absorvido sem nenhum novo aporte de recursos.

Atualmente o salário base dos condutores socoristas e técnicos de enfermagem é de R$ 1.209,62, somados a este, há o auxílio alimentação de R$ 239,22, mais R$ 176,00 de insalubridade, o adicional noturno e o sobreaviso intrajornada. A categoria dos condutores socorristas conta ainda com R$ 133,29 de abono salarial. A carga horária das duas categorias é de 30 horas semanais, em jornada de trabalho de 12/60horas.

Estamos atualmente trabalhando com R$ 150 mil de déficit mensal, somando receitas e custo apropriado. Esta diferença tem sido paga com reservas de pagamentos retroativos. Mas se não houver aumento de receitas, será impossível suportar as condições que o sindicato apresenta. O Ciruspar tem dialogado com o Secretário de Estado da Saúde, Michele Caputo Neto, o qual tem se colocado à disposição para auxiliar dentro da legalidade; e está ainda tentando agendar uma audiência com o Ministério da Saúde para rever a Portaria nº1473/13 que desde 2013 não foi reajustada.

O consórcio está preocupado com a parte da população desassistida. A luta é válida, mas se pede discernimento nos caminhos pelos quais se busca para atingir objetivos. Se alguém deixar de ser atendido por motivo de greve, cada qual deve ser capaz de mensurar as consequências e responsabilidades que possui. A população não pode ser prejudicada, de forma alguma.


Hélio Alves
Presidente do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgências do Sudoeste do Paraná
Pato Branco, 6 de julho de 2016.

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