Fonte: Assessoria/Amsop

19/07/2016



A Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) em parceria com o Grupo Gestor do Território Sudoeste do Paraná (Ggeespa) e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) – campus de Francisco Beltrão lançaram na manhã de quinta-feira (7) a ‘Carta Sudoeste Ambiental’. A apresentação e distribuição inicial da Carta ocorreu no auditório da Unioeste, em meio a programação do 16ª Seminário de Extensão da universidade, envolvendo os 5 campi da universidade. 


O material, que vem sendo discutido e construído durante vários encontros, contou com a colaboração de integrantes de pelo menos 27 entidades, instituições, órgão de Estado, associações, cooperativas e universidades do Sudoeste. Lideranças desses parceiros acompanharam o lançamento da Carta, tendo como representantes na mesa de honra o presidente da Amsop, prefeito de Marmeleiro Luiz Bandeira, o coordenador do Grupo Gestor Luiz Perin, o pró-reitor de Extensão da Unioeste Rosalvo Schutz, e a professora coordenadora de Extensão do Centro de Ciências Aplicadas Chistine Graboski.


São parceiros na Carta Sudoeste Ambiental a Amsop, Grupo Gestor, Unioeste, UTFPR, UFFS, Seab, Iapar, Emater, Incra, Cooperiguaçu, Cresol, Sisclaf, Seed, Assema, Fetraf-PR, Capa, Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Casas Familíares Rurais, Coopafi, Assesoar, Federação das Unicafs, Movimento dos Atingidos por Barragens, MST, Fetaep, Assec, Acamsops e CMDRS de FB/PB/DV. 


25 demandas 


Seguindo o padrão das cartas já produzidas – à exemplo da Carta Saúde Sudoeste – que também tem como base a Carta Sudoeste elaborada pela Amsop e reeditada pela última vez em 2014, a Carta Sudoeste Ambiental surge como uma ferramenta de apelo dos líderes da região em defesa da saúde regional e do meio ambiente. Dos 25 itens que constam no material, 9 serão trabalhados junto aos órgãos e governos estadual e federal enquanto os outros 16 serão discutidos junto aos municípios.


São sugestões que interessam a toda a comunidade pois tratam de assuntos que vão desde ao modelo de agricultura em vigor, menor uso de agrotóxicos, uso de novas tecnologias, cumprimento da legislação, crédito, e até o fortalecimento dos conselhos municipais de agricultura, desenvolvimento de programas de proteção as bacias hidrográficas, melhor aproveitamento da água da chuva, e ampliação de debates sobre agroecologia, feiras e campanhas, formas de energias renováveis, tratamento de esgoto e resíduos sólidos etc.


Preservação da vida


Para o presidente da Amsop a Carta Sudoeste Ambiental passa a compor uma série de medidas que visão a melhor preservação dos recursos naturais e que podem garantir um futuro melhor para as próximas gerações. “A Carta é o resultado de muito trabalho envolvendo diversas entidades que estão preocupadas com o futuro da nossa região e dos nossos filhos. Nós, enquanto Amsop, que representa dos 42 municípios da região, também somos parceiros junto com as demais entidades em busca de soluções para as questões elencadas na Carta”, salientou Bandeira. 


O coordenador do Grupo Gestor evidenciou os assuntos que mais devem receber atenção regional e conclamou a população para cada um fazer a sua parte. “A apresentação da Carta nessa oportunidade do seminário de extensão da Unioeste é oportuna por envolver professores, alunos, mestrandos e doutorandos com um assunto de suma importância. Agradeço a Amsop e Unioeste pela parceria que reforça a preocupação com quatro temas chaves: o solo, o uso exagerado de agrotóxico, a proteção e uso da água e o destino do lixo. Agora temos que tirar do papel as propostas e fazer com que cada um faça sua parte, contribua lá no seu município”, sugere Perin.


O pró-reitor da Unioeste disse que outras regiões do Estado deveriam copiar a iniciativa. “Vejo que o conteúdo da Carta é fundamental e serve para toda a comunidade, e acredito que será muito utilizada pelos candidatos elaborarem seus projetos e programas de meio ambiente e saúde. Parabéns à região que sabe unir forças pelas entidades e gostaria que o Oeste, e outras regiões do Paraná adotassem tais medidas”, frisou Schutz.


Discussão


Após o lançamento foi apresentado um conjunto de imagens catalogadas pelo engenheiro-agrônomo da Emater Nilton Fritz, que retratou situações no âmbito agrícola e de meio ambiente na região. Na sequência a engenheira-agrônoma da Vigilância Sanitária de Francisco Beltrão Dalva Colling, acompanhada da engenheira-agrônoma da Assesoar Janete Fabro, e a professora Chistine abriram as discussões sobre uso excessivo de agrotóxicos, agroecologia e qualidade de vida.

 

Demandas para a Esfera Estadual e Federal  1.    Inserir temáticas sobre a conservação dos solos e águas e uso sustentável dos recursos naturais nos currículos de ensino fundamental, médio e superior. 2.    Difundir conceitos sobre a agricultura conservacionista/sustentável e divulgar amplamente para a população urbana e rural, por meios diversos e acessíveis como: cartilhas, vídeos educativos, palestras e exposições.  3.    Desenvolver tecnologias para melhorar a produção sob o ponto de vista da produtividade, qualidade e segurança alimentar, avançando para um modelo de agricultura que reduza o uso de insumos químicos e agrotóxicos.  4.    Implantar na região o programa de Redução de Agrotóxico e Apoio à Agroecologia. 5.    Realizar a rotulagem de alimentos convencionais, orgânicos e transgênicos, permitindo ao cidadão conhecer a origem dos alimentos que consome. 6.    Fortalecer programas e espaços de discussão sobre consumo consciente em âmbito federal, estadual e municipal. 7.    Garantir que órgãos fiscalizadores efetuem o cumprimento da legislação no meio rural e urbano, enfatizando o solo e a água como bem público.  8.    Criar programas governamentais para auxiliar os agricultores na realização de práticas conservacionistas. 
9.    Destinar crédito diferenciado para os agricultores que adotem a agricultura conservacionista, protegendo o solo, áreas de florestas e nascentes de água em suas propriedades. 

Demandas para a Esfera Municipal 1.     Reelaboração dos Planos Diretores com espaços que possibilitem efetiva participação da população.  2. Fortalecer e dinamizar os Conselhos Municipais como espaço multidisciplinar e suprapartidário para debater e acompanhar projetos ambientais nos municípios, com o poder de proposição, envolvendo parcerias com os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, Escolas, Universidades e outras. 3. Possibilitar a participação no envio e no acesso aos dados do “Relatório de Qualidade do Meio Ambiente” do Ministério do Meio Ambiente, criado pela Lei 6938/81, previsto na Política Nacional do Meio Ambiente, como parte da ação educativa ambiental. (www.mma.gov.br/port/conama/estr.cfm). 4. Difundir canais de denúncia da utilização de produtos ilegais na produção vegetal e animal, processamento de matérias primas para consumo humano e animal e desmatamento. 5. Estímulo à criação de cadeias curtas de produção, consumo e comercialização, possibilitando a aproximação entre produtor e consumidor. 6. Incentivar a implantação de feiras itinerantes entre bairros, promoção de feiras noturnas e divulgação de mercados alternativos com orientação de profissionais com atuação em segurança nutricional, soberania alimentar e saúde pública.  
7. Ampliar a visibilidade da Agroecologia e suas ações em nível regional, com a promoção de feiras, exposição de produtos e divulgação dos saberes e sabores regionais. 8. Destinar recursos para criação de programas e espaços de discussão sobre educação do consumidor envolvendo crianças, jovens e adultos.  9. Instituir nos municípios a “Semana de Educação Ambiental e Consumo Consciente”. 10.   Melhorar a conservação dos alimentos, com o intuito de evitar desperdícios e propiciar segurança alimentar e nutricional, num trabalho em parceria regional com Universidades, Institutos de Pesquisa e Empresas. 11.   Envolver a mídia para divulgação e discussão sobre conservação e consumo adequado de água potável, prevenção do desperdício e uso da água da chuva. 12.   Estimular a utilização e consumo das energias renováveis (solar, eólica, bioenergia e outras), assim como as construções sustentáveis (telhado verde, aquecimento solar, captação da água da chuva). 13. Desenvolver um amplo Programa Ambiental de proteção das bacias hidrográficas do Sudoeste do Paraná (Iguaçu, Chopim).  14. Desenvolver projetos de armazenamento e uso de água da chuva (cisternas e outras formas), reduzindo o desperdício de água tratada.  15. Possibilitar que maior contingente da população rural e urbana acesse água e saneamento de qualidade.
16. Ampliar os serviços de coleta e tratamento de esgoto e gerenciamento de resíduos sólidos. 

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