Fonte: Assessoria Amsop

01/12/2016



Um grupo de lideranças da região Sudoeste vai elaborar um documento contendo uma lista de pedidos de alterações, questionamentos e exigências no projeto inicial de privatização do Corredor Sudoeste, trecho de 285 km envolvendo 4 rodovias entre Realeza e Palmas. A decisão foi tomada em reunião realizada na noite de terça-feira (29) no auditório da Agência de Desenvolvimento Regional, em Francisco Beltrão.

A proposta surgiu mediante as dúvidas apresentadas pelos representantes de mais de 10 entidades, associações e cooperativas de transporte, que até agora não tiveram contato com o projeto final que já deveria ter sido publicado pelo consórcio Caminhos do Sudoeste – responsável pelo estudo. A reunião desta terça foi agendada prevendo que o projeto estaria livre ao acesso para posterior detalhamento, já que as audiências públicas  consultivas estão agendadas para o dia 7, a partir das 16h na Câmara Municipal em Pato Branco, e dia 8, a partir das 9h na Amsop, em Francisco Beltrão.

O encontro foi convocado pela Cacispar (Coordenadoria das Associações Empresárias do Sudoeste do Paraná) em parceria com Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná), e Agência de Desenvolvimento Regional. Participaram   presidentes ou representantes de associações comerciais de Realeza, Ampere, Francisco Beltrão, Pato Branco, Santa Isabel do Oeste e Marmeleiro, do DER, Fiep, Cootrans, Rodocredito, Cooptrans e integrantes da governança do PDRI (Plano de Desenvolvimento Regional Integrado).

Projeto inicial 

As informações obtidas até agora foram detalhadas na reunião pelo integrante do conselho temático de infraestrutura da Fiep, João Arthur Mohr, com base no que o Consórcio interessado e o DER disponibilizaram. Os dados falam principalmente das obras, cronologia, investimentos e tráfego (embora não fala se por eixo ou automóvel), mas não detalha, por exemplo, sobre o custo de cada investimento, prioridade de obras e principalmente porque tão pouco tempo entre as audiências e a abertura do edital de licitação, algo em torno de 40 dias.

Para João Arthur o pouco tempo dificulta o surgimento de mais interessados na obra. “Entendo que esse ponto deva ser revisto. Só existe uma forma de se chegar a um preço justo do pedágio: tem que ter concorrência”, afirma. E essa concorrência deve aparecer, pois na reunião o presidente da Rodocredito Albio Stupp disse que estão interessados e pretendem formar uma cooperativa para disputar a licitação. “Temos empresários e empreiteiras interessadas, mas para isso precisamos de informações, até agora não disponibilizadas”, afirma Stupp.

O diretor da Agência Célio Boneti comentou que em Pato Branco um grupo de empresários também demonstrou interesse em participar da licitação, informação confirmada pelo presidente da Cacispar Jair dos Santos.

O documento

Mesmo entendendo que o Estado deveria fazer a recuperação do trecho (divida com o Sudoeste), lideranças são unânimes sobre a necessidade urgente de obter boa rodovia, nem que seja privatizando. No entanto apresentaram algumas preocupações que vão contar no documento. Entre elas, a ampliação do prazo entre audiência e licitação, alteração no cronograma de obras atendendo as prioridades, instalação de um conselho regional para acompanhar as obras, prestação de contas a cada semestre, detalhamento sobre a contagem de tráfego, como será o reajuste anual da tarifa, entre outros pontos.

Boneti salienta que o documento pode direcionar o andamento das audiências. “Agora vamos listar as nossas dúvidas e exigências e repassar para apreciação dos lideres. Entendo que esse documento pode direcionar a pauta das audiências”, observa. 
O presidente da ACEFB Marcos Guerra acrescentou ainda que o Estado precisa apresentar um plano de ação sobre as rodovias ao entorno dos trechos de concessão. “Naturalmente vai haver muita fuga para essas rodovias. Como vai ficar?”, questiona, sugerindo o documento com exigências assinado pelas lideranças. 

O presidente da Amsop o prefeito de Marmeleiro Luiz Bandeira concorda com o documento e sugeriu ainda outras discussões para tentar baixar o preço do pedágio. “Temos que ver, de repente reduzir ou anistiar o ISS que os municípios vão receber. Ver a questão da concorrência e ainda se é possível incluir o serviço do nosso SAMU que custa caro para as prefeituras”, sugere Bandeira.

O presidente da Agencia Luiz Carlos Peretti enfatizou que essas discussões são fundamentais para se ter ações em defesa de um bom projeto para o Sudoeste com menor custo. “Agradeço a todos que participaram, pois surgem novas ideias que podem favorecer o Sudoeste. É discutindo, questionando que se evolui e se chega as melhores propostas. Vamos fazer esse documento como forma de dar mais clareza ao processo”, disse Peretti.

Para o presidente da Cacispar, o documento só ganha sua assinatura se for prorrogado o prazo entre as audiências e a licitação. “Concordo que temos que exigir alterações, mas a primeira é a ampliação da data da licitação por pelo menos 100 dias. Sem isso não adianta documento. E queremos que nossas dúvidas sejam esclarecidas”, cobra Santos.

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