Fonte: Assessoria Amsop

21/02/2018



O principal pedido do seminário que debateu a chamada crise do leite foi por mais atenção do governo federal à produção tanto na região Sudoeste como em todo o país. Representantes de entidades ligadas a pecuária leiteira, da Abraleite e do Ministério da Agricultura participaram do evento, promovido pela Amsop e instituições regionais na sexta-feira (16) em Francisco Beltrão.
 
A crise é desencadeada pelas seguidas quedas no preço do leite pago aos produtores. O litro do produto, que em setembro de 2016 era negociado a R$ 1,52 no Paraná, chegou a R$ 0,96 no mês passado. “Isso tem um impacto muito grande na economia dos municípios; só pra termos uma ideia o Sudoeste, que produz cerca de 1,2 bilhão de litros, está perdendo mais de R$ 500 milhões somente com esta queda no preço”, afirma o presidente da Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná), Moacir Fiamoncini.
 
Além da Amsop, promoveram também o seminário a Seab, Emater, Unicafes, Iapar, Grupo Gestor do Território, Rural Leite, Assema, Acamsop, Assessoar, Fetaep, Ocepar, Sindicato Rural, Capa e Fetraf. A ideia era reunir lideranças da atividade leiteira para pressionar o governo com regulamentações para o setor e mais apoio para os produtores. “São necessárias políticas públicas que garantam a pecuária leiteira num momento extremamente delicado como este”, defende o presidente da Abraleite, Geraldo Borges.
 
Dificuldades no setor
As principais pautas debatidas no encontro foram a revisão do preço mínimo do leite – que hoje é de R$ 0,85 e, segundo produtores, está muito abaixo dos custos – o endurecimento de regras para importação do produto e a garantia de renegociação de empréstimos feitos pelos agricultores junto a bancos e cooperativas para financiar equipamentos.
 
O produtor Rudimar da Silva, de Planalto, está tendo que vender seus 22 mil litros de leite produzidos por mês pela metade do preço que negociava há uma ano e meio e já acumula dívidas de financiamento. “Quando o preço estava bom todo mundo aproveitou para modernizar as propriedades, investir em equipamento, mas hoje, além do preço ter baixado, os custos subiram e isso está nos obrigando a trabalhar no vermelho”, relata.
 
Revisão do preço
O coordenador de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, João Salomão, foi um dos palestrantes do seminário e explicou a atuação do governo federal para amenizar a crise. “Já tomamos medidas para limitar importações no ano passado e agora pretendemos rever o preço mínimo no novo plano agropecuário”, disse Salomão.
 
No Sudoeste, a estimativa é que o custo de produção de leite seja de R$ 1,12. A ideia do governo agora é rever o preço considerando as variações regionais de custos e adquirindo a produção quando o preço estiver abaixo do mínimo.
 
Presenças
Lideranças do setor leiteiro, secretários e técnicos da área agrícola, além dos deputados estaduais Wilmar Reichembach – que preside a Frente Parlamentar do Leite – e Nelson Luersen e o federal Assis do Couto, também estiveram presentes no seminário.

Compartilhe: